Morte de fisiculturista expõe mercado clandestino de anabolizantes que invade MS pela fronteira
Caso do influenciador Gabriel Ganley reacende alerta sobre uso indiscriminado de esteroides; acesso facilitado ao Paraguai impulsiona comércio ilegal em Mato Grosso do Sul
A morte do fisiculturista e influenciador digital Gabriel Ganley, de apenas 22 anos, reacendeu um debate cada vez mais presente nas academias e redes sociais: o uso indiscriminado de anabolizantes em busca do chamado “shape perfeito”. O jovem, que falava abertamente sobre o uso contínuo de esteroides, foi encontrado morto em São Paulo e o caso segue sob investigação.
Segundo informações divulgadas pela CNN Brasil, a polícia encontrou possíveis anabolizantes entre os pertences do influenciador. O laudo necroscópico aponta cardiomiopatia hipertrófica, uma condição cardíaca genética, como possível causa relacionada à morte.
Antes de morrer, Gabriel chegou a declarar em um podcast que tinha consciência dos riscos provocados pelo uso contínuo de hormônios em altas doses. “O verdadeiro problema é saber que você está encurtando anos da sua vida”, afirmou.
Em Mato Grosso do Sul, especialistas alertam que a proximidade com o Paraguai facilita ainda mais o acesso clandestino às substâncias. Campo Grande está a cerca de 330 quilômetros de Ponta Porã, cidade de fronteira com Pedro Juan Caballero, onde diversos produtos hormonais são comercializados livremente em farmácias e mercados paralelos.
Usuários relatam que muitos dos anabolizantes mais procurados chegam ao Estado por meio de atravessadores, conhecidos como “freteiros”, que transportam ampolas e medicamentos ilegalmente para academias e consumidores finais. O comércio costuma ocorrer via WhatsApp, com pagamentos realizados por Pix.
Um jovem de 28 anos ouvido pela reportagem do Campo Grande News revelou que já utilizou anabolizantes adquiridos diretamente no Paraguai durante quatro anos. Segundo ele, o baixo custo dos chamados “ciclos” estimula o mercado clandestino.
“Lá custa cerca de R$ 110. Aqui chega a R$ 250 ou R$ 300”, contou.
O relato também expõe os perigos enfrentados por usuários sem acompanhamento médico. O jovem afirmou ter passado mal durante aplicações. “Achei que ia morrer”, disse.
Especialistas reforçam que há uma diferença entre reposição hormonal feita com indicação médica e o uso de esteroides para fins puramente estéticos. A médica Vanessa Vida, especialista em medicina integrativa e reposições hormonais, afirma que muitos pacientes confundem tratamento de saúde com busca por performance física extrema.
Ela explica que a reposição hormonal tem finalidade terapêutica e utiliza doses fisiológicas, acompanhadas por exames e avaliação médica individualizada. Já o uso recreativo e clandestino costuma envolver doses suprafisiológicas, elevando significativamente os riscos cardiovasculares, hepáticos, hormonais e psicológicos.
O médico, nutricionista, treinador e fisiculturista Bruno Jorge Bianchi também alerta que é possível conquistar um corpo atlético sem recorrer aos anabolizantes.
“Treino, alimentação, disciplina e constância ainda são os principais caminhos para um físico saudável”, afirmou.
Segundo ele, o uso contínuo dessas substâncias pode provocar infartos, AVCs, alterações hormonais graves, problemas no fígado, infertilidade e até morte precoce.
Os números das apreensões em Mato Grosso do Sul mostram a dimensão do problema. Somente em 2026, a Vigilância Sanitária Estadual apreendeu mais de 1,1 mil unidades de anabolizantes em transportadoras e centros de distribuição dos Correios em Campo Grande.
Entre os produtos mais encontrados estão oxandrolona, estanozolol e derivados de testosterona. Muitos medicamentos eram enviados escondidos em objetos como garrafas térmicas, air fryers, livros, bonecas e embalagens de cosméticos.
As autoridades classificam o esquema como parte do chamado “contrabando da beleza”, mercado clandestino que cresce impulsionado pelas redes sociais, pressão estética e promessas rápidas de transformação física.
Fonte:
60
Morte de fisiculturista expõe mercado clandestino de anabolizantes que invade MS pela fronteira
Caso do influenciador Gabriel Ganley reacende alerta sobre uso indiscriminado de esteroides; acesso facilitado ao Paraguai impulsiona comércio ilegal em Mato Grosso do Sul
50
Com a aproximação da estiagem, comunidade de Brasilândia e CESP reforçam preparo contra incêndios florestais
Treinamento de dois dias na Reserva Cisalpina reuniu moradores, integrantes da administração municipal e a brigada de incêndio da Companhia
Deixe um comentário
Quase lá...