Retomada da UFN-3 recoloca Três Lagoas no mapa dos maiores investimentos industriais do país

Obra paralisada há mais de uma década volta a avançar com aporte superior a R$ 5 bilhões, geração de oito mil empregos e estratégia nacional para reduzir dependência externa de fertilizantes

Publicado em
Retomada da UFN-3 recoloca Três Lagoas no mapa dos maiores investimentos industriais do país

Depois de mais de 12 anos de paralisação, a retomada oficial das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-3), em Três Lagoas, marca um dos momentos mais importantes da história econômica recente de Mato Grosso do Sul. O retorno do empreendimento foi oficializado nesta quinta-feira (25), durante cerimônia que reuniu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, representantes da Petrobras, autoridades estaduais e lideranças políticas em um evento que simboliza o reinício de um projeto considerado estratégico para o desenvolvimento industrial brasileiro.

A unidade, que teve sua construção iniciada em 2008 e acabou interrompida em 2014 quando já apresentava estágio avançado de execução, voltará a receber investimentos estimados em mais de R$ 5 bilhões. A expectativa é que a nova etapa da obra gere cerca de oito mil empregos diretos e indiretos, além de provocar forte movimentação econômica em diversos setores ligados à cadeia produtiva regional.

A agenda presidencial em Três Lagoas começou no Aeroporto Municipal Plínio Alarcom e seguiu diretamente para a área industrial da fábrica, onde Lula visitou instalações, acompanhou a estrutura já existente e participou do ato que oficializou a contratação das empresas responsáveis pela conclusão definitiva da planta industrial.

Considerada uma das maiores obras industriais já instaladas em Mato Grosso do Sul, a UFN-3 passa agora a integrar a estratégia nacional de fortalecimento da indústria de fertilizantes, setor em que o Brasil ainda apresenta elevada dependência do mercado externo.

Estado destaca importância estratégica diante da dependência internacional
Representando o governador Eduardo Riedel na cerimônia, o vice-governador José Carlos Barbosa ressaltou que a retomada do projeto ocorre em um momento em que o país precisa ampliar urgentemente sua capacidade interna de produção de fertilizantes.

Segundo ele, crises internacionais recentes demonstraram como a dependência brasileira da importação desses insumos representa uma fragilidade para o agronegócio nacional, especialmente após os impactos provocados pelo conflito entre Rússia e Ucrânia.

Atualmente, o Brasil ainda importa aproximadamente 75% da ureia consumida no mercado interno, cenário que torna o avanço da UFN-3 um movimento estratégico para garantir segurança produtiva e maior competitividade ao setor agrícola brasileiro.

O vice-governador também destacou que a operação da fábrica deverá consumir diariamente cerca de 2,2 milhões de metros cúbicos de gás natural, o que amplia a relevância energética e econômica do empreendimento para Mato Grosso do Sul.

Simone Tebet projeta expansão e vê potencial para novas fábricas
A ex-prefeita de Três Lagoas, Simone Tebet, que participou das articulações iniciais que possibilitaram a instalação do projeto anos atrás, afirmou que a retomada da unidade pode representar apenas o início de uma expansão ainda maior do setor no Estado.

Segundo Simone, caso haja disponibilidade futura de gás natural suficiente para ampliar a capacidade produtiva, existe potencial concreto para expandir a estrutura atual e transformar Mato Grosso do Sul em referência ainda maior dentro da cadeia nacional de fertilizantes.

Ela destacou que a unidade deverá responder inicialmente por cerca de 15% da produção brasileira, percentual que poderá crescer significativamente em caso de futuras ampliações, alterando de forma importante o nível de dependência nacional das importações.

Para a ex-prefeita, o retorno definitivo da obra simboliza não apenas uma conquista histórica para Três Lagoas, mas também uma oportunidade estratégica de posicionar o Estado em um dos segmentos mais importantes para o futuro econômico do país.

Presidente defende retomada da indústria nacional
Durante discurso realizado no local, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou o longo período em que o empreendimento permaneceu sem avanços, mesmo já possuindo grande parte da estrutura física concluída.

Ele afirmou que não há justificativa para que uma obra com essa dimensão estratégica tenha permanecido abandonada por tantos anos, especialmente considerando a importância do setor de fertilizantes para o agronegócio brasileiro.

Lula também reforçou a necessidade de ampliar a capacidade produtiva interna em áreas consideradas essenciais para garantir autonomia econômica e reduzir vulnerabilidades diante do mercado internacional.

Programa de qualificação vai preparar trabalhadores locais
Durante o evento, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, anunciou um programa específico de qualificação profissional voltado para moradores de Três Lagoas e municípios vizinhos.

Batizado de “Autonomia e Renda Três Lagoas”, o projeto oferecerá inicialmente 1.400 vagas em cursos profissionalizantes realizados em parceria com instituições como SESI, SENAI e rede federal de ensino.

O objetivo é formar trabalhadores que poderão atuar diretamente tanto na conclusão das obras quanto na futura operação da unidade industrial.

Município se prepara para novo ciclo econômico
O prefeito Cassiano Maia afirmou que a retomada representa um marco histórico para Três Lagoas e destacou o impacto que o empreendimento deverá provocar sobre a economia local.

Além da geração de empregos, a expectativa é de aquecimento em setores como hotelaria, comércio, alimentação, transporte e prestação de serviços, movimentando toda a economia regional durante os próximos anos.

Quando entrar em funcionamento, a fábrica terá capacidade para produzir aproximadamente 3.600 toneladas diárias de ureia granulada e cerca de 2.200 toneladas de amônia por dia.

A estimativa atual prevê conclusão das obras em 2029, embora exista dentro da Petrobras a possibilidade de antecipação para 2028.

Mais do que a reativação de uma obra interrompida, a retomada da UFN-3 representa o início de uma transformação econômica de longo prazo.

Após anos de incertezas, Três Lagoas volta a ocupar posição de destaque no cenário industrial brasileiro e inicia uma nova fase marcada por investimentos bilionários, expansão produtiva e perspectivas concretas de desenvolvimento que podem redefinir o futuro econômico de toda a região.

Fonte:

Deixe um comentário