Polícia Científica de MS orienta idosos a reconhecer golpes digitais no Junho Prata
Ação do Núcleo de Computação Forense reuniu 22 participantes e mostrou como confirmar mensagens suspeitas, proteger contas e preservar vestígios
Horas antes de participar de uma palestra sobre golpes digitais em Campo Grande, um aposentado de 73 anos recebeu no celular uma mensagem suspeita solicitando a atualização de um cadastro que ele sequer havia realizado. Desconfiado, decidiu bloquear imediatamente o número. A atitude acabou antecipando uma das principais orientações repassadas pela Polícia Científica de Mato Grosso do Sul durante ação educativa voltada à prevenção de crimes virtuais contra pessoas idosas.
A atividade foi promovida na última terça-feira (23) pelo Núcleo de Computação Forense da PCi-MS, na Associação Amor pela Vida, reunindo 22 idosos em uma programação especial dentro da campanha Junho Prata, iniciativa dedicada à valorização e proteção da população idosa.
O encontro teve como principal objetivo conscientizar os participantes sobre os perigos crescentes dos golpes aplicados por meio de celulares, aplicativos e redes sociais, além de ensinar estratégias para evitar cair em armadilhas virtuais que têm causado prejuízos financeiros e emocionais em todo o país.
Durante a palestra, o perito criminal Jefferson Lucena, especialista em Computação Forense e Segurança da Informação, explicou que criminosos costumam agir explorando fatores emocionais como medo, pressa, confiança e falsas promessas de vantagens financeiras.
Entre os golpes mais comuns apresentados estavam mensagens falsas pedindo transferências via Pix, perfis clonados de familiares alegando troca de número, links enviados por SMS, promoções com preços muito abaixo do mercado e tentativas de obtenção de dados bancários.
O especialista também chamou atenção para crimes mais sofisticados, em que criminosos utilizam fotos, áudios e vídeos para simular pessoas conhecidas, aumentando o grau de convencimento das vítimas.
A recomendação principal é simples: diante de qualquer mensagem urgente ou suspeita, interromper o contato imediatamente e confirmar a informação por outro canal oficial antes de realizar qualquer ação.
O aposentado que participou da palestra relatou que utiliza frequentemente aplicativos bancários para pagar contas e reconheceu já ter sido vítima de golpe anteriormente. Segundo ele, mesmo pessoas acostumadas com a tecnologia podem ser enganadas. “Hoje a tecnologia facilita muito a vida, mas precisamos aprender a usar com cuidado para não cair em golpe”, afirmou.
Além da prevenção, os participantes receberam orientações importantes sobre o que fazer caso o golpe já tenha acontecido. Conversas, áudios, comprovantes, números de telefone, links e registros digitais podem servir como provas fundamentais para as investigações.
A Polícia Científica orienta que a vítima jamais apague mensagens ou restaure o aparelho antes de receber instruções das autoridades, além de comunicar imediatamente o banco, bloquear cartões, alterar senhas e registrar boletim de ocorrência.
Ao final da atividade, os idosos participaram de uma dinâmica educativa com mensagens de conscientização como “Não clique em links suspeitos”, “Antes do Pix, confirme” e “Senha e código são secretos”, reforçando a importância da informação como ferramenta de proteção.
A ação terminou com a entrega de mudas simbólicas aos participantes e deixou uma mensagem clara: em tempos de tecnologia cada vez mais presente no cotidiano, abandonar o mundo digital não é opção — o caminho é aprender a navegar com mais segurança e atenção.
Fonte:
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