Jornalista transforma ajuda recebida pelo pai em mais de 20 anos de doação de sangue
História de solidariedade atravessa gerações e ganha destaque durante a campanha Junho Vermelho, que busca reforçar a importância da doação para salvar vidas
Um gesto de solidariedade recebido há mais de duas décadas transformou-se em uma corrente de amor ao próximo que continua salvando vidas em Mato Grosso do Sul. A jornalista campo-grandense Anna Santullo carrega há 22 anos um compromisso que nasceu em um dos momentos mais delicados de sua família: a necessidade de doações de sangue para o tratamento de saúde de seu pai.
Na época, a mobilização de amigos, familiares e voluntários foi fundamental para garantir o atendimento necessário. Tocada pela generosidade das pessoas que compareceram ao hemocentro para ajudar alguém que sequer conheciam, Anna tomou uma decisão que mudaria sua vida.
Como forma de agradecimento, ela passou a doar sangue regularmente e nunca mais interrompeu esse gesto de solidariedade.
“Meu pai precisou de doações de sangue e muitas pessoas foram ao Hemosul para ajudá-lo. Aquilo ficou marcado na minha vida. Como forma de gratidão, eu coloquei na minha cabeça que também passaria a doar para pessoas que eu nem conheço. É uma forma de retribuir tudo o que fizeram pela minha família”, relata.
Por ser mulher, Anna realiza até três doações por ano, respeitando os intervalos recomendados pelos profissionais de saúde. Para ela, cada ida ao hemocentro representa uma homenagem ao pai e uma oportunidade de oferecer esperança a quem enfrenta momentos difíceis.
Exemplo que atravessou gerações
O impacto dessa atitude ultrapassou os limites da própria experiência pessoal e chegou à nova geração da família. Inspirado pela mãe, o estudante Vicenzo Santullo decidiu tornar-se doador de sangue assim que completou 16 anos, idade mínima permitida para a doação com autorização dos responsáveis.
Segundo Anna, a iniciativa partiu do próprio filho, que escolheu celebrar o aniversário de forma especial.
“No dia em que completou 16 anos, ele me convidou para irmos juntos ao hemocentro. Foi emocionante perceber que esse valor também passou a fazer parte da vida dele”, conta.
Hoje, prestes a completar 17 anos, Vicenzo segue contribuindo com a causa e representa a continuidade de uma história construída sobre empatia e solidariedade.
Junho Vermelho reforça conscientização
A trajetória da família ganha ainda mais relevância neste mês, marcado pela campanha Junho Vermelho, criada para conscientizar a população sobre a importância da doação de sangue.
A mobilização ocorre justamente em um período em que os hemocentros costumam enfrentar queda nos estoques devido à redução do número de doadores durante o inverno. A campanha também destaca o Dia Mundial do Doador de Sangue, celebrado em 14 de junho e instituído pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
As bolsas de sangue são indispensáveis para pacientes em tratamento contra o câncer, vítimas de acidentes, pessoas submetidas a cirurgias, transplantados e portadores de diversas doenças que dependem de transfusões para sobreviver.
Para Anna, a mensagem é simples e direta: doar sangue é um pequeno gesto capaz de gerar um impacto imensurável.
“Eu recebi ajuda quando minha família precisou. Hoje, sigo doando porque sei que, do outro lado, existe alguém esperando por essa oportunidade de continuar vivendo”, afirma.
Quem pode doar sangue?
Podem doar sangue pessoas que:
Estejam em boas condições de saúde;
Tenham entre 16 e 69 anos;
Pesem no mínimo 51 quilos;
Estejam alimentadas e hidratadas;
Apresentem documento oficial com foto.
Menores de 18 anos precisam estar acompanhados e autorizados pelos pais ou responsáveis legais.
Antes da doação, todos os candidatos passam por uma avaliação clínica realizada por profissionais capacitados, garantindo a segurança tanto de quem doa quanto de quem receberá o sangue.
Mais do que um ato de solidariedade, a doação de sangue continua sendo um gesto capaz de transformar histórias, preservar vidas e inspirar novas gerações a fazer a diferença.
Fonte:
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