Obesidade infantil acende alerta em Mato Grosso do Sul

Dados apontam estabilidade nos índices da doença entre crianças sul-mato-grossenses, mas especialistas destacam que hábitos saudáveis e acompanhamento precoce continuam sendo fundamentais

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Obesidade infantil acende alerta em Mato Grosso do Sul

A obesidade infantil continua sendo um dos principais desafios de saúde pública no Brasil e voltou ao centro das atenções nesta semana com o Dia da Conscientização contra a Obesidade Infantil, celebrado em 3 de junho. Em Mato Grosso do Sul, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) reforçou o alerta para a importância da prevenção e do acompanhamento regular das crianças, destacando que a doença está diretamente relacionada ao aumento do risco de problemas como diabetes, hipertensão e outras complicações que podem se estender até a vida adulta.

De acordo com a SES, o acompanhamento do crescimento e desenvolvimento infantil nas unidades básicas de saúde é uma das principais ferramentas para identificar precocemente situações de sobrepeso e obesidade. Por meio da avaliação de peso e altura, os profissionais conseguem monitorar a evolução da criança e adotar medidas preventivas quando necessário.

As informações são registradas na Caderneta da Criança, permitindo acompanhar a curva de crescimento e detectar alterações no estado nutricional antes que elas se agravem.

Segundo o gerente de Alimentação e Nutrição da SES, Anderson Holsbach, o envolvimento da família é essencial nesse processo.

“A identificação precoce permite intervenções mais eficazes e aumenta as chances de promover mudanças que favoreçam a saúde da criança ao longo da vida”, destaca.

Entre os fatores que contribuem para o aumento da obesidade infantil estão a redução das atividades físicas, o aumento do tempo diante de telas e o consumo frequente de alimentos ultraprocessados, como refrigerantes, salgadinhos, biscoitos recheados e bebidas açucaradas.

Especialistas apontam ainda que o chamado “ambiente obesogênico” influencia diretamente os hábitos alimentares da população. Esse cenário inclui a facilidade de acesso a alimentos industrializados, a dificuldade de encontrar opções saudáveis em algumas regiões e a diminuição de espaços adequados para a prática de atividades físicas.

A prevenção começa desde os primeiros anos de vida. O Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos recomenda que não seja oferecido açúcar nessa faixa etária. Além disso, o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de idade é considerado um importante fator de proteção contra a obesidade.

Outro ponto destacado pela SES é a influência dos hábitos familiares. Crianças que convivem em ambientes onde há consumo regular de frutas, verduras e alimentos naturais tendem a desenvolver uma relação mais saudável com a alimentação.

Dados mostram estabilidade
Levantamento do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN) mostra que os índices de obesidade entre crianças de 0 a 5 anos permaneceram relativamente estáveis em Mato Grosso do Sul entre 2021 e 2025, com média de 4,92% no período.

Já entre crianças de 5 a 10 anos, houve uma discreta redução dos índices. O percentual de obesidade caiu de 9,49% em 2021 para 9,04% em 2025. A obesidade grave também apresentou queda, passando de 5,76% para 5,37%.

Apesar dos números considerados estáveis, a Secretaria de Saúde ressalta que o monitoramento contínuo é indispensável para evitar o avanço da doença e garantir melhor qualidade de vida às futuras gerações.

Além das ações realizadas nas unidades de saúde, o tema integra as atividades do Programa Saúde na Escola (PSE), que promove iniciativas voltadas à alimentação saudável e ao incentivo da prática de atividades físicas. A SES também desenvolve programas de capacitação para profissionais da saúde e apoia estratégias de promoção da alimentação adequada e do aleitamento materno.

A orientação dos especialistas é clara: pequenas mudanças na rotina, como reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados, incentivar brincadeiras ao ar livre e estimular hábitos alimentares saudáveis dentro de casa, podem fazer grande diferença na prevenção da obesidade infantil e na construção de uma vida mais saudável.

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