Homem é preso suspeito de alugar moto para integrantes do CV em Maracaju
Investigação de tentativa de homicídio revelou esquema de apoio logístico à facção; suspeito cobrava até R$ 150 pelo uso da Honda Biz
A investigação de uma tentativa de homicídio em Maracaju, a 159 quilômetros de Campo Grande, levou a Polícia Militar a prender um homem de 41 anos suspeito de manter um esquema de apoio logístico a integrantes do Comando Vermelho (CV) na região. Segundo a investigação, ele alugava uma Honda C100 Biz preta por valores entre R$ 100 e R$ 150 para que integrantes da facção utilizassem o veículo em atentados e no transporte de drogas.
O caso veio à tona na noite de segunda-feira (14), quando Carlos Edson Paes deu entrada caminhando e sozinho no Pronto-Socorro do Hospital Soriano Corrêa, após ser atingido por um tiro no pescoço. À equipe médica, ele contou que trafegava de motocicleta quando foi baleado, mas não soube informar exatamente onde ocorreu o ataque nem quem efetuou os disparos.
Pouco depois de receber os primeiros atendimentos, o estado de saúde de Carlos piorou. Ele apresentou rebaixamento do nível de consciência e precisou ser intubado em caráter de emergência. Uma transferência para Campo Grande foi solicitada em regime de “vaga zero”.
Enquanto a vítima permanecia no hospital, policiais militares localizaram a Honda Biz estacionada em frente à unidade, com a chave ainda na ignição. A motocicleta apresentava marcas de sangue na estrutura e na manopla, indicando que poderia ter sido utilizada no momento do ataque.
Inicialmente, os policiais acreditavam que o veículo pertencia à própria vítima. Antes, porém, que a perícia pudesse recolher a motocicleta, um homem foi até o hospital por volta das 23h, retirou a Biz e a levou para a casa de uma prima, na Vila Margarida.
INVESTIGAÇÃO
Denúncias anônimas indicaram à polícia que o homem seria o verdadeiro proprietário da motocicleta e que estaria alugando o veículo para a prática de crimes. A partir das informações, a Polícia Militar passou a investigá-lo e conseguiu localizá-lo na Rua Antônio João, na Vila Juquita.
Durante a abordagem, segundo a ocorrência, o suspeito indicou onde havia escondido a motocicleta e admitiu que mantinha o esquema de aluguel para integrantes do crime organizado havia aproximadamente três meses.
Ainda conforme o relato policial, o homem afirmou que cobrava entre R$ 100 e R$ 150 pelo aluguel da moto e sabia que o veículo seria utilizado em ações criminosas.
As negociações, segundo a investigação, eram realizadas pelo WhatsApp, com contatos salvos pelos apelidos de “Foco, Força e Fé” e “Chaves”.
DROGAS
Durante o interrogatório, o suspeito também teria revelado que mantinha em casa uma mochila contendo porções de maconha, que teriam sido entregues por um motorista de aplicativo.
Após tomar conhecimento da repercussão do atentado e perceber a movimentação policial, ele teria solicitado que integrantes da facção retirassem a droga da residência. De acordo com o relato, um casal em uma motocicleta vermelha foi até o imóvel e levou o entorpecente horas antes da prisão.
A motocicleta utilizada no esquema e o celular do suspeito foram apreendidos e encaminhados para perícia.
O homem foi levado para a Delegacia de Polícia Civil de Maracaju, onde o caso foi registrado como homicídio simples na forma tentada. A investigação continua para esclarecer a dinâmica do atentado, identificar os responsáveis pelos disparos e apurar a extensão da participação do suspeito no suposto esquema de apoio à facção.
Fonte:
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