BR-163 concentra mortes e acende alerta sobre segurança nas rodovias de Mato Grosso do Sul

Rodovia soma 532 acidentes e 40 mortes em 2026; crescimento da circulação de cargas e comportamento dos motoristas estão entre os fatores apontados pelas autoridades

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BR-163 concentra mortes e acende alerta sobre segurança nas rodovias de Mato Grosso do Sul

A sequência de acidentes graves registrados nas rodovias de Mato Grosso do Sul voltou a colocar em evidência os riscos enfrentados diariamente por quem percorre os principais corredores de transporte do Estado. Entre as estradas federais, a BR-163 concentra um dos cenários mais preocupantes, com 532 acidentes, 40 mortes e 570 pessoas feridas em 2026, segundo levantamento da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

A situação ganhou ainda mais repercussão após o acidente ocorrido em setembro, na região de Rio Brilhante, que matou uma família e uma cachorrinha. O episódio é mais um entre os casos graves registrados em uma rodovia marcada pelo intenso trânsito de veículos pesados e pelo deslocamento de automóveis de passeio.

Além da BR-163, outras estradas federais importantes apresentam números expressivos. A BR-262, por exemplo, registrou redução no total de acidentes em relação ao ano anterior, mas teve aumento de 5,8% no número de feridos, segundo os dados apresentados pela PRF. O contraste indica que a quantidade de ocorrências, isoladamente, não explica a gravidade dos acidentes.

MAIS CARGAS, MAIS CONFLITOS NO TRÂNSITO
Para o inspetor da PRF Fábio Sodré, os acidentes precisam ser analisados a partir de um conjunto de fatores. Entre eles estão as condições da estrada, dos veículos, do ambiente e, principalmente, o comportamento de quem está ao volante.

O cenário também acompanha as mudanças econômicas de Mato Grosso do Sul. A expansão de atividades industriais, da mineração e de outros setores produtivos aumentou a movimentação de cargas e fez com que determinados corredores rodoviários passassem a receber fluxo ainda mais intenso.

As BRs 163, 262, 267, 060, 158, 376 e 463 estão entre os principais eixos de circulação apontados no levantamento.

Segundo Sodré, a concentração de veículos nessas rotas está relacionada ao próprio processo de transformação econômica do Estado.

PISTAS SIMPLES AUMENTAM O DESAFIO
Outro elemento apontado pelas autoridades é a configuração da malha rodoviária. Grande parte das estradas federais de Mato Grosso do Sul ainda possui pista simples, o que torna as ultrapassagens um dos momentos de maior risco para os condutores.

A duplicação, por outro lado, não elimina completamente o problema. Embora reduza conflitos relacionados à circulação em sentidos opostos, uma pista duplicada pode favorecer velocidades mais elevadas, aumentando a gravidade quando ocorrem colisões.

Na BR-163, a situação ganha características próprias nos trechos urbanos. A convivência entre o trânsito de moradores e veículos que percorrem longas distâncias cria diferentes padrões de velocidade e comportamento.

Para Marcelo Tezani, especialista em relações institucionais da concessionária Motiva Pantanal, as travessias urbanas estão entre os pontos que exigem atenção justamente por reunirem esses dois tipos de circulação.

TRÊS LAGOAS ESTÁ ENTRE OS CORREDORES DE MAIOR MOVIMENTO
A realidade também alcança a região de Três Lagoas, que está inserida em uma área de forte circulação de cargas e possui ligação com importantes corredores rodoviários.

Um dos exemplos é a MS-112, que concentra ocorrências em municípios como Inocência e Três Lagoas. O movimento está relacionado ao transporte de cargas e à expansão das atividades econômicas na região.

Esse cenário faz com que veículos de grande porte dividam espaço com carros, motocicletas e outros veículos utilizados diariamente pela população.

RODOVIAS ESTADUAIS TAMBÉM ENFRENTAM RISCOS
Nas estradas sob responsabilidade estadual, o levantamento do Batalhão da Polícia Militar Rodoviária (BPMR) aponta concentração de ocorrências em corredores utilizados para o transporte da produção.

A MS-306, entre Cassilândia e Costa Rica, aparece entre os trechos com maior número de acidentes. A rodovia tornou-se importante rota para o deslocamento de cargas entre Mato Grosso, São Paulo e Minas Gerais.

A combinação de caminhões e carretas com veículos menores aumenta os pontos de conflito, principalmente quando estão associados fatores como velocidade excessiva, ultrapassagens inadequadas e perda de atenção.

O capitão Kleber de Souza Oliveira, subcomandante do BPMR, também aponta o cansaço como um dos problemas encontrados nas fiscalizações.

PERDA DE CONTROLE É UM DOS PRINCIPAIS PROBLEMAS
Os registros das rodovias estaduais mostram uma forte presença de acidentes relacionados à perda de controle dos veículos.

Entre as ocorrências levantadas estão:

932 capotamentos;
823 saídas de pista;
689 tombamentos;
452 colisões traseiras;
387 colisões laterais;
356 colisões frontais.
Os números ajudam a dimensionar a variedade de situações enfrentadas pelos motoristas e mostram que os acidentes não estão restritos às colisões entre veículos.

FATOR HUMANO CONTINUA NO CENTRO DO ALERTA
Dados do Detran-MS apontam que as rodovias estaduais acumulam cerca de 5,4 mil sinistros entre 2021 e 2026.

Entre os fatores conhecidos registrados em 2026, a falta de atenção aparece na liderança, com 189 ocorrências, seguida por situações como presença de animais na pista, ultrapassagens indevidas e motoristas que dormem ao volante.

A fiscalização também encontra problemas relacionados às condições dos veículos, incluindo pneus desgastados e falhas no sistema de iluminação, além de condutores sem habilitação.

Outro risco específico é a presença de animais silvestres. Na BR-163, foram identificados pontos considerados críticos para travessia de fauna, com previsão de medidas como sinalização e implantação de estruturas destinadas a reduzir atropelamentos.

PREVENÇÃO COMEÇA ANTES DA VIAGEM
Diante do cenário, as forças de segurança reforçam que parte dos acidentes pode ser evitada com cuidados adotados antes mesmo de o motorista entrar na rodovia.

A recomendação inclui verificar pneus, freios, iluminação e demais equipamentos do veículo, além de planejar paradas durante viagens longas.

Para quem passa muitas horas ao volante, o descanso também é considerado essencial. A orientação é fazer pausas regulares, especialmente em deslocamentos prolongados.

A combinação entre crescimento do transporte de cargas, diferentes perfis de veículos e fatores humanos mantém as principais rodovias de Mato Grosso do Sul sob atenção constante das equipes responsáveis pela fiscalização e segurança viária.

 
 

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