Em centros de idosos e aldeias, Governo de MS expande acesso ao novo RG para toda a população
Iniciativa da Polícia Científica já realizou aproximadamente 90 mutirões neste ano e leva a Carteira de Identidade Nacional a idosos, pessoas com deficiência e comunidades com dificuldade de acesso aos postos convencionais
A emissão da nova Carteira de Identidade Nacional (CIN) tem alcançado moradores de diferentes regiões de Mato Grosso do Sul por meio de ações itinerantes e mutirões. De janeiro a outubro de 2026, o Instituto de Identificação da Polícia Científica de Mato Grosso do Sul realizou cerca de 90 ações, que resultaram na confecção de aproximadamente 8 mil documentos.
A iniciativa é coordenada pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), por meio do Instituto de Identificação da Polícia Científica, e busca facilitar o acesso à documentação civil, especialmente para pessoas que enfrentam dificuldades de deslocamento até os postos convencionais.
Em 2025, foram realizadas mais de 130 ações itinerantes, com a emissão de mais de 10 mil carteiras. Já o relatório estadual de remessas de documentos contabilizou 948.309 CINs entre 11 de janeiro de 2024 e 13 de outubro de 2026, considerando todos os postos de identificação do Estado.
Nova identidade facilita atendimento de pessoas com deficiência
A mudança no documento trouxe benefícios para Claudete de Freitas Soares, de 65 anos, que passou quase duas décadas utilizando a mesma carteira de identidade.
Nascida com baixa visão, Claudete perdeu completamente a capacidade de enxergar ao longo da vida. Ao receber a nova CIN durante uma ação realizada no Instituto Sul-Mato-Grossense para Cegos (ISMAC), em Campo Grande, ela passou a contar com a identificação de pessoa com deficiência no documento.
Segundo Claudete, a informação contribuiu para tornar o atendimento em bancos, estabelecimentos comerciais e outros serviços mais simples, evitando que precisasse explicar repetidamente sua condição visual.
A emissão ocorreu durante um atendimento itinerante, que levou a equipe de identificação até a instituição frequentada por pessoas com deficiência visual.
Documento reúne informações e reduz a necessidade de carregar outros registros
Outra beneficiada foi Melita Jacinta Brick, de 75 anos, que utilizava uma identidade emitida em 1998. Ela recebeu a nova carteira durante um mutirão realizado no Centro de Convivência de Idosos Vovó Ziza, em Campo Grande.
Para Melita, uma das principais vantagens da CIN é a utilização do CPF como número único de identificação, o que facilita a apresentação de documentos em diferentes situações.
Ela relatou já ter utilizado a nova identidade em procedimentos relacionados à compra de um imóvel, à aquisição de um veículo e a atendimentos de saúde.
A possibilidade de solicitar o documento em um local que já faz parte da rotina também contribuiu para facilitar o acesso ao serviço.
Atendimento chega a aldeias, assentamentos e comunidades rurais
Além dos centros de convivência e instituições de atendimento especializado, as equipes itinerantes alcançam comunidades indígenas, rurais, quilombolas e ribeirinhas, além de pessoas em situação de vulnerabilidade social.
Durante os mutirões, são realizadas a conferência dos documentos, a coleta biométrica e as orientações necessárias para a emissão da carteira.
O Estado também ampliou a rede de atendimento permanente. Em parceria com a Secretaria de Estado de Educação (SED), foram implantados serviços de identificação no Assentamento Itamarati, em Ponta Porã, e em aldeias indígenas como Te’yikue, Lagoinha, Jaguapiru e Cachoeirinha.
A expansão inclui ainda o distrito de Nova Casa Verde, em Nova Andradina, estabelecimentos prisionais e unidades compartilhadas com o Departamento Estadual de Trânsito (Detran-MS), como as estruturas de atendimento em Dourados.
Atualmente, Mato Grosso do Sul conta com 106 postos permanentes de identificação, que complementam o trabalho realizado pelos mutirões.
Primeira emissão da CIN é gratuita
A Carteira de Identidade Nacional utiliza o CPF como número único de identificação e permite a inclusão opcional de informações e símbolos relacionados à deficiência, conforme os requisitos documentais exigidos.
A primeira emissão em papel é gratuita. O modelo antigo do RG continua válido, em regra, até 28 de fevereiro de 2032.
A ampliação dos atendimentos busca reduzir barreiras de acesso à documentação e garantir que mais pessoas consigam obter um documento atualizado sem precisar percorrer longas distâncias.
Para Claudete, a mudança representa mais do que a atualização de uma fotografia: a identificação da deficiência na carteira contribui para que sua condição seja reconhecida com mais naturalidade durante os atendimentos cotidianos.
Fonte:
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