MS mantém quase R$ 90 bilhões em investimentos previstos e Três Lagoas está no centro da expansão

Carteira reúne megaprojetos de celulose, bioenergia, mineração e fertilizantes, com destaque para a retomada da UFN3 e novos empreendimentos no Estado

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MS mantém quase R$ 90 bilhões em investimentos previstos e Três Lagoas está no centro da expansão

Mato Grosso do Sul mantém uma carteira próxima de R$ 90 bilhões em grandes investimentos previstos para os próximos anos, mesmo após a conclusão de empreendimentos que faziam parte do levantamento realizado em 2025. A nova fotografia do setor mostra obras avançando, projetos que ganharam cronograma e investimentos que foram reprogramados.

O levantamento atualizado pelo Correio do Estado reúne cerca de R$ 85 bilhões em investimentos privados entre projetos em implantação, confirmados ou em fase de estruturação. A esse montante se soma a Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN3), da Petrobras, em Três Lagoas, com investimento estimado em cerca de US$ 1 bilhão para a conclusão da fábrica.

Com isso, o volume chega próximo de R$ 90 bilhões, acima dos R$ 81,5 bilhões identificados no levantamento anterior. A diferença, porém, não representa apenas novos recursos, já que alguns empreendimentos anteriores entraram em operação enquanto outros foram substituídos ou reformulados.

CELULOSE CONCENTRA OS MAIORES PROJETOS
Entre os maiores investimentos está o Projeto Sucuriú, da Arauco, em Inocência, estimado em R$ 25 bilhões. A construção da fábrica avançou para uma etapa decisiva e a previsão é de início das operações no segundo semestre de 2027.

O projeto terá capacidade para produzir cerca de 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano.

A expansão também movimenta a infraestrutura logística. O ramal ferroviário ligado ao empreendimento, com investimento estimado em aproximadamente R$ 1 bilhão, já ultrapassou metade da execução e integra a estrutura necessária para o escoamento da produção.

Outro grande empreendimento é o projeto da Bracell, inicialmente planejado para Água Clara e posteriormente direcionado para Bataguassu. O investimento estimado é de R$ 25 bilhões, com capacidade prevista de aproximadamente 2,8 milhões de toneladas de celulose.

Apesar do avanço no licenciamento ambiental, o cronograma foi reprogramado e o início das obras está previsto para 2027.

Em Três Lagoas, a segunda linha da Eldorado Brasil também voltou ao radar após a solução do conflito societário que durante anos envolveu J&F e Paper Excellence.

O projeto é estimado em R$ 25 bilhões e poderá elevar a capacidade de produção da empresa de 1,8 milhão para aproximadamente 4,4 milhões de toneladas de celulose por ano.

A expansão, entretanto, ainda não possui cronograma oficial para conclusão e inauguração.

Somados, os projetos da Arauco, Bracell e Eldorado representam cerca de R$ 75 bilhões, concentrando a maior parcela da carteira de grandes investimentos do Estado.

BIOENERGIA AMPLIA A DIVERSIFICAÇÃO
O setor sucroenergético também aparece entre as principais frentes de expansão. A Atvos confirmou um pacote adicional de R$ 2,36 bilhões para Mato Grosso do Sul, destinado a três plantas, sendo uma unidade de biometano e duas usinas de etanol de milho.

Em Nova Alvorada do Sul, a planta de biometano recebe investimento superior a R$ 350 milhões e está em implantação. A unidade deverá utilizar resíduos da cana-de-açúcar para produzir cerca de 28 milhões de metros cúbicos de biometano por safra.

Também no município, uma nova usina de etanol de milho recebeu licença de instalação, com investimento superior a R$ 1 bilhão.

A terceira unidade do pacote está prevista para Costa Rica.

Outra aposta na produção de biocombustíveis está em Jaraguari, onde a usina de etanol de amido Pioneiras prevê investimento de aproximadamente R$ 300 milhões.

O movimento mostra uma diversificação da indústria sul-mato-grossense, que passa a reunir grandes projetos de celulose com investimentos em etanol, biometano e outras fontes de energia renovável.

MINERAÇÃO E AGROINDÚSTRIA
Em Corumbá, a LHG Mining prevê aproximadamente R$ 4 bilhões para ampliar as operações no complexo Morro do Urucum. A proposta é elevar a produção anual de minério de ferro de alto teor de 12 milhões para 25 milhões de toneladas.

Na região sul do Estado, a Copasul mantém a implantação de uma indústria de processamento de soja em Naviraí, com investimento estimado em R$ 1,4 bilhão.

A agroindústria também aparece na expansão da citricultura. A Cambuhy Agropecuária anunciou R$ 1,2 bilhão para o plantio de laranja na região de Ribas do Rio Pardo e Água Clara, enquanto a Cutrale prevê cerca de R$ 500 milhões para o cultivo de aproximadamente 5 mil hectares na divisa entre Campo Grande e Sidrolândia.

A citricultura já reúne cerca de R$ 2,1 bilhões em investimentos anunciados no Estado, considerando diferentes grupos que estão implantando pomares.

UFN3 COLOCA TRÊS LAGOAS NOVAMENTE NO CENTRO DO MAPA INDUSTRIAL
Fora da carteira de investimentos privados, a UFN3, em Três Lagoas, representa uma das principais novidades em relação ao levantamento anterior.

Depois de mais de uma década de paralisação, a Petrobras retomou oficialmente o projeto da fábrica de fertilizantes. O Conselho de Administração aprovou em abril a continuidade da implantação, com investimento estimado em cerca de US$ 1 bilhão e previsão de início das operações comerciais em 2029.

Em junho, a Petrobras informou a assinatura dos contratos necessários para a retomada das obras da unidade. A fábrica terá capacidade projetada para produzir 3.600 toneladas de ureia por dia, segundo documentos da companhia.

A retomada representa uma mudança importante em relação ao cenário anterior, quando o empreendimento permanecia sem uma definição concreta para o reinício.

A Petrobras considera a UFN3 estratégica para ampliar a produção nacional de fertilizantes e reduzir a dependência brasileira de importações. A localização em Três Lagoas também coloca a unidade próxima de importantes mercados consumidores do Centro-Oeste e de outras regiões produtoras do país.

NOVO CICLO DE INVESTIMENTOS
A nova carteira mostra que Mato Grosso do Sul atravessa um período de transformação industrial marcado pela combinação de celulose, bioenergia, mineração, agroindústria, citricultura e fertilizantes.

Para Três Lagoas, além da continuidade da expansão do setor de celulose, a retomada da UFN3 representa a entrada de um novo grande empreendimento industrial na economia local.

Com projetos em diferentes estágios de implantação, licenciamento e planejamento, o Estado mantém uma carteira próxima dos R$ 90 bilhões em investimentos previstos, sinalizando a continuidade de um ciclo de expansão que deve movimentar municípios, infraestrutura, logística, geração de empregos e cadeias de fornecedores nos próximos anos.

 
 

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