Organizações promovem ação de empregabilidade para refugiados

Evento ocorreu durante todo o dia no centro da capital paulista

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Organizações promovem ação de empregabilidade para refugiados

A busca por emprego e melhores condições de vida levou migrantes e refugiados a participar, neste sábado (17), de uma ação de empregabilidade e empreendedorismo no centro de São Paulo. O evento “Conexões que Transformam” ofereceu orientação profissional, apoio com documentação, revisão de currículos e acesso a oportunidades de trabalho.

Entre os participantes estavam o casal venezuelano Victor Arce, de 65 anos, e Morelba Margarida Aquilar, de 64, que vive no Brasil há um ano com a filha. Na Venezuela, Victor trabalhava como marceneiro, mas decidiu vir ao país para buscar tratamento médico para a esposa.

Enquanto procura uma oportunidade de emprego, ele vende artesanato e busca informações para abrir o próprio negócio. Segundo Victor, a esposa conseguiu atendimento médico no Brasil em cerca de dois meses, o que representou uma mudança importante para a família.

“Esse país é muito bom e encantador, tanto de pessoas quanto de material científico e educativo. Minha esposa tem um problema de saúde e o tratamento venezuelano era muito custoso. E aqui, em dois meses, ela conseguiu atendimento e resolveram o problema”, relatou.

Durante a ação, Victor procurou orientações sobre como empreender e montar uma microempresa no Brasil. Ele também destacou o apoio recebido por imigrantes no país.

Evento reuniu participantes de 23 nacionalidades
A iniciativa foi promovida pelo Grupo Mulheres do Brasil, pela Konecta Brasil e pela Konecta Foundation, na Aliança Brasil Cidadã, no centro da capital paulista.

Segundo os organizadores, 136 migrantes e refugiados, de 23 países, se inscreveram para participar. A programação incluiu oficinas de empregabilidade e empreendedorismo, revisão de currículos com tradução para o português, orientação sobre documentação e apresentação de vagas de emprego.

Também foram oferecidas palestras sobre o funcionamento do mercado de trabalho brasileiro, além de atividades de bem-estar, espaço para crianças e distribuição de cestas básicas e brinquedos.

De acordo com Maria Helena Santuche, líder do Comitê de Inserção de Refugiados e Migrantes do Grupo Mulheres do Brasil, cerca de 70% dos participantes da ação estavam desempregados. Mais da metade demonstrava interesse em empreender no país.

Ela explicou que muitos buscam abrir um negócio por necessidade, mas ainda precisam de orientação sobre como transformar a ideia em uma atividade sustentável.

O diretor de Pessoas da Konecta Brasil, Flavio Simonato, destacou que a iniciativa também procura ajudar os participantes a regularizar documentos e adequar os currículos às exigências do mercado brasileiro.

Idioma e documentação são obstáculos
Segundo Vivian Holzhacker, associada de Soluções Duradouras do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), mais de um milhão de pessoas refugiadas ou que necessitam de proteção internacional vivem atualmente no Brasil.

Essas pessoas vêm de mais de 160 nacionalidades, com destaque para venezuelanos, cubanos e haitianos. Há também pessoas provenientes de países como Afeganistão, Irã, Síria e Palestina.

Apesar de muitos chegarem ao Brasil com formação acadêmica e experiência profissional, encontrar trabalho compatível com suas qualificações pode ser difícil. Entre os obstáculos estão o idioma, a necessidade de traduzir documentos e validar diplomas, além da falta de uma rede de apoio.

A urgência por renda também faz com que alguns profissionais aceitem empregos diferentes daqueles que exerciam em seus países de origem.

Para Vivian, ações de capacitação e orientação profissional ajudam a aproximar migrantes e refugiados das oportunidades disponíveis, além de facilitar a adaptação dos currículos e a preparação para entrevistas.

Onde buscar ajuda
Migrantes e refugiados que vivem no Brasil podem procurar organizações que oferecem orientação sobre documentação, trabalho, renda e qualificação profissional.

O Acnur disponibiliza a plataforma Help, que permite consultar informações e localizar organizações de apoio de acordo com o estado e o município.

Outra alternativa é a Aliança Brasil Cidadã, que oferece cursos gratuitos durante todo o ano, incluindo capacitações em informática, inteligência artificial e manicure.

Também é possível buscar informações pelas redes sociais do Grupo Mulheres do Brasil e da Konecta Brasil ou entrar em contato com o Grupo Mulheres do Brasil pelo e-mail refugiados@grupomulheresdobrasil.org.br.

As iniciativas buscam ampliar o acesso à qualificação e ao mercado de trabalho, ajudando pessoas que deixaram seus países a reconstruir a vida no Brasil com mais autonomia e segurança.

 
 

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