Da escola pública ao mercado de tecnologia, jovens de Três Lagoas transformam sonhos em profissão
Alunos da Escola Estadual Jomap encontram nos cursos de Ciência de Dados, Inteligência Artificial e Mecatrônica oportunidades para construir o futuro profissional
O ensino público tem ajudado jovens de Três Lagoas a transformar o interesse por tecnologia em oportunidades de carreira. Na Escola Estadual Professor João Magiano Pinto, conhecida como Jomap, estudantes têm acesso a cursos profissionalizantes durante o Ensino Médio, abrindo caminhos para o mercado de trabalho e o ensino superior.
Entre esses jovens estão Rafael Mendes, de 17 anos, que ainda está descobrindo as possibilidades da área, e Yasmim Namie, de 19, que já ingressou na universidade para estudar Sistemas de Informação. Embora estejam em etapas diferentes da trajetória, os dois compartilham uma experiência em comum: encontraram na educação pública uma oportunidade para desenvolver habilidades e projetar o futuro.
Em 2026, a Jomap ampliou a oferta de formação com um curso de Inteligência Artificial, mantém Ciência de Dados ao longo do Ensino Médio e oferece Mecatrônica em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).
O crescimento também aparece nos números. A escola formou 38 estudantes em 2024 e 73 em 2025, quase o dobro em apenas um ano.
Rafael descobriu na tecnologia um novo propósito
Rafael tinha sete anos quando saiu de São Paulo e veio morar em Mato Grosso do Sul. Cresceu em Três Lagoas, estudou em escola pública e chegou ao Ensino Médio com pouco contato com o universo da tecnologia.
Foi durante uma aula do curso de Ciência de Dados que começou a enxergar novas possibilidades para o próprio futuro.
“A tecnologia me deu propósito e independência”, conta.
Aos 17 anos, Rafael concilia uma rotina intensa, dividida entre escola, trabalho e um curso livre de programação. O aprendizado o levou a explorar áreas como desenvolvimento back-end, bancos de dados, computação em nuvem e automação.
Além dos estudos, ele desenvolve sistemas reais que estão em fase de apresentação para empresas, colocando em prática conhecimentos adquiridos durante a formação.
“Tudo me ensinou a ser resiliente, a priorizar o que realmente importa e não depender de terceiros para construir meu futuro”, afirma.
Yasmim percorreu o mesmo caminho e chegou à universidade
A trajetória de Yasmim Namie mostra como a formação técnica durante o Ensino Médio pode abrir portas para a continuidade dos estudos e para a carreira profissional.
Aos 19 anos, ela cursa Sistemas de Informação na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), depois de passar pelo curso de Ciência de Dados da Jomap. Foi também a primeira pessoa da família a ingressar na área de tecnologia.
No início, o desafio era lidar com o receio diante de conteúdos cada vez mais complexos.
“Havia o medo da dificuldade em conseguir aprender algo cada vez mais complexo”, lembra.
Com o tempo, a insegurança deu lugar à confiança para aplicar os conhecimentos adquiridos na escola também fora da universidade.
Yasmim incentiva outros estudantes a explorar o funcionamento das ferramentas tecnológicas e a não desistir diante dos primeiros desafios.
“Tenha a curiosidade de conhecer como todo recurso tecnológico funciona. Criar algo inovador não é inalcançável, é possível”, destaca.
Formação aproxima estudantes do mercado de trabalho
A experiência da Jomap reforça a importância de oferecer formação profissional ainda durante o Ensino Médio. Ao entrar em contato com áreas como Ciência de Dados, Inteligência Artificial e Mecatrônica, os estudantes podem descobrir interesses, desenvolver competências e conhecer possibilidades de atuação profissional.
Nos últimos três anos, alunos da escola assinaram mais de 350 contratos de jovem aprendiz com empresas da região, segundo as informações divulgadas.
Para famílias cujos filhos demonstram interesse por tecnologia, mas ainda não sabem qual caminho seguir, uma das possibilidades é procurar a escola e verificar quais cursos técnicos integrados ao Ensino Médio estão disponíveis no município.
Enquanto Rafael continua construindo sua trajetória, Yasmim já avançou para a universidade. As histórias dos dois mostram como o acesso à formação tecnológica pode ampliar horizontes e ajudar jovens a transformar curiosidade em projetos concretos para o futuro.
Fonte:
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