Briga bilionária na Justiça ameaça obra da ferrovia da Arauco em Mato Grosso do Sul

Concessionária da MS-112 pede embargo imediato e quer até a demolição de viaduto ferroviário construído pela gigante chilena em Inocência

Publicado em
Briga bilionária na Justiça ameaça obra da ferrovia da Arauco em Mato Grosso do Sul

Uma disputa judicial envolvendo bilhões de reais pode impactar uma das maiores obras de infraestrutura em andamento em Mato Grosso do Sul. A concessionária Way-112, responsável pela administração da rodovia MS-112, ingressou na Justiça para tentar embargar a construção da ferrovia da Arauco, alegando invasão da faixa de domínio da rodovia e solicitando, inclusive, o desfazimento das obras de um viaduto ferroviário.

Na ação, a concessionária acusa a multinacional chilena de praticar esbulho possessório ao executar as obras sem autorização para utilização da faixa de domínio da rodovia estadual. Segundo a Way-112, a construção da ferrovia, executada pela empreiteira Construcap, avançou sobre área sob sua concessão sem a devida anuência da empresa e da Agência Estadual de Regulação (Agems).

Além da reintegração de posse da área, a concessionária pede que a Arauco seja obrigada a restaurar o local ao estado original, o que poderia resultar até mesmo na remoção das estruturas já construídas sobre a MS-112.

A Arauco, por outro lado, sustenta que não necessita de autorização da concessionária nem da Agems para executar a obra. A empresa argumenta que a ferrovia foi autorizada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e que, conforme entendimentos do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF), não cabe cobrança pelo uso da faixa de domínio quando um serviço público utiliza a estrutura de outro serviço público.

A multinacional afirma ainda que a implantação do ramal ferroviário EF-A35 não se enquadra nas hipóteses de cobrança defendidas pela concessionária.

A ferrovia integra um dos maiores investimentos privados em andamento no Estado. Serão aproximadamente 47 quilômetros de extensão, ligando a futura fábrica da Arauco, em Inocência, à Malha Norte ferroviária, em um investimento estimado em R$ 2,8 bilhões.

O projeto faz parte da implantação da nova fábrica de celulose da empresa chilena, que receberá cerca de US$ 4,6 bilhões em investimentos e deverá se tornar a maior planta de produção de celulose do mundo, com capacidade para fabricar 3,5 milhões de toneladas por ano.

Na ação judicial, a Way-112 relata que fiscais da concessionária tentaram interromper administrativamente as obras em junho deste ano, mas os responsáveis pela execução informaram que somente atenderiam eventual determinação da própria Arauco.

A concessionária também argumenta que as escavações e a movimentação de máquinas pesadas próximas à rodovia foram realizadas sem aprovação dos planos técnicos de sinalização, o que, segundo a empresa, coloca em risco a segurança dos usuários da MS-112.

O caso está sendo analisado pelo juiz Edimilson Barbosa Ávila, que decidiu adiar a análise do pedido de liminar até que a Arauco apresente sua defesa. O magistrado também determinou que a Agems seja intimada para prestar esclarecimentos sobre a questão regulatória envolvendo a utilização da faixa de domínio da rodovia.

Enquanto a disputa segue na Justiça, as obras da ferrovia permanecem como um dos principais projetos logísticos ligados ao crescimento da indústria de celulose em Mato Grosso do Sul. A decisão judicial poderá estabelecer um importante precedente sobre a convivência entre concessões rodoviárias estaduais e empreendimentos ferroviários autorizados pelo governo federal.

Fonte:

Deixe um comentário