Alta do boi dispara preço da carne e pesa no bolso dos consumidores em MS
Arroba acumula valorização de quase 9% em 2026, exportações aquecidas reduzem a oferta no mercado interno e cortes chegam a ficar mais de 14% mais caros
O tradicional churrasco do fim de semana está ficando cada vez mais caro em Mato Grosso do Sul. A valorização da arroba do boi gordo voltou a pressionar os preços da carne bovina e já é sentida pelos consumidores, que encontram cortes mais caros nos supermercados e açougues.
Levantamento do mercado mostra que a arroba do boi gordo acumula alta de 8,9% neste ano. Em agosto de 2025, a cotação era de R$ 296,71 e passou para R$ 332,68 no mesmo período de 2026, um aumento de 12,1% em 12 meses.
O reflexo também aparece nas prateleiras. Dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apontam que o grupo das carnes registra inflação de 7,61% em 2026. Entre os principais cortes, a ponta de peito lidera os reajustes, com alta de 11,73%, seguida pela paleta (10,13%), costela (8,78%), coxão mole (7,46%) e contrafilé (6,03%).
Na comparação dos últimos 12 meses, os aumentos são ainda maiores. O contrafilé acumula alta de 14,05%, enquanto a ponta de peito subiu 12,86% e a paleta 12,44%.
Oferta menor e exportações impulsionam preços
De acordo com a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), a valorização é resultado da combinação entre a redução da oferta de animais para abate e o bom desempenho das exportações brasileiras.
Em 2026, o Estado registrou uma queda de 1,6% no número de bovinos abatidos no primeiro semestre, totalizando 2,08 milhões de animais. Ao mesmo tempo, as exportações de carne seguem em ritmo acelerado.
Entre janeiro e junho, Mato Grosso do Sul exportou US$ 1,42 bilhão em carnes, crescimento de 40% em relação ao mesmo período do ano passado. O setor representa 25,1% de toda a receita das exportações do agronegócio estadual.
Por que a carne demora a ficar mais barata?
Segundo o economista Eugênio Pavão, o perfil exportador de Mato Grosso do Sul reduz a oferta de carne no mercado interno e ajuda a sustentar os preços.
Ele explica que o aumento da arroba não chega imediatamente ao consumidor porque existe uma cadeia composta por produtores, frigoríficos, distribuidores e varejistas, cada um com seus custos e margens de comercialização.
O economista resume esse comportamento com uma expressão bastante conhecida: "os preços sobem de elevador, mas descem de escada". Ou seja, os reajustes costumam ser repassados rapidamente, enquanto as reduções acontecem de forma lenta.
Tendência é de preços elevados
A expectativa do setor é que os preços permaneçam firmes nos próximos meses. A combinação entre oferta limitada de animais, custos elevados e exportações aquecidas deve continuar sustentando a valorização da carne bovina, reduzindo as chances de uma queda significativa nos preços no curto prazo.
Fonte:
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