“Água do Palmito”: a história do poço que marcou gerações e virou lembrança dos moradores de Três Lagoas

Poço perfurado pela Petrobras na década de 1960 abasteceu bairros da cidade por anos e ficou famoso pelo sabor salobro da água que nunca saiu da memória dos três-lagoenses

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“Água do Palmito”: a história do poço que marcou gerações e virou lembrança dos moradores de Três Lagoas

A história de uma cidade também é feita de pequenas lembranças que atravessam gerações. Em Três Lagoas, uma delas ainda desperta nostalgia e curiosidade entre os moradores mais antigos: a famosa “Água do Palmito”, uma água de sabor diferente que, durante anos, fez parte da rotina de milhares de famílias.

Esta é a terceira reportagem especial da série do TL Notícias, que ao longo da semana resgata histórias, personagens, curiosidades e acontecimentos que ajudaram a construir a memória do município.

Quem viveu em Três Lagoas por muitos anos certamente já ouviu alguém dizer: “Na minha casa era água do Palmito”. O nome curioso, porém, não tem relação com a conserva de palmito, mas sim com o local onde ficava um dos poços mais conhecidos da história do abastecimento de água da cidade.

Um poço criado durante a busca por petróleo
A história do Poço Palmito começou em 1964, quando a Petrobras realizou uma perfuração na região durante pesquisas de prospecção de petróleo. O trabalho alcançou uma profundidade impressionante de 4.569 metros, revelando uma grande reserva de água subterrânea.

O poço chegou a produzir aproximadamente 200 mil litros de água por hora, com temperatura próxima de 46,5°C.

Durante décadas, o local permaneceu sem utilização para abastecimento público. Anos depois, em 2006, o Poço Palmito passou a integrar o sistema de distribuição de água de Três Lagoas, levando abastecimento para diversos bairros, entre eles Guanabara, Parque São Carlos, Santa Rita, Santos Dumont, além de outras regiões do município.

O sabor que virou marca registrada
Apesar de abastecer milhares de moradores, a chamada “Água do Palmito” ficou conhecida principalmente pelo seu gosto peculiar.

Com alta concentração de sais minerais, a água era classificada como salobra, apresentando características diferentes da água doce tradicional. Mesmo após o tratamento adequado para consumo, o sabor marcante gerava estranhamento e dividia opiniões entre os moradores.

Para algumas famílias, aquela água era apenas parte da rotina. Para outras, o gosto salgado se tornou uma das principais reclamações do período.

Após anos de utilização, o Poço Palmito deixou de fazer parte do sistema de abastecimento em 2014, encerrando uma fase que ficou registrada na memória coletiva da população.

Um projeto turístico que não saiu do papel
Além da importância para o abastecimento, o Poço Palmito também chamou atenção pelo potencial de aproveitamento da água quente.

Localizado às margens da rodovia que liga Três Lagoas a Brasilândia, em frente ao antigo frigorífico Frigotel, no Km 09 da BR-158, o local chegou a ser apontado como possível área para implantação de um empreendimento turístico, como um hotel ou resort.

A ideia era aproveitar as características da água para criar uma nova atração na região, mas o projeto acabou não sendo desenvolvido.

Uma lembrança que permanece viva
Mesmo depois de mais de uma década fora da rede de abastecimento, o Poço Palmito continua sendo uma das histórias mais curiosas de Três Lagoas.

A frase “lá em casa era água do Palmito” ainda desperta lembranças entre antigos moradores, que recordam uma época em que um simples copo de água carregava uma característica que ninguém esquecia.

A “Água do Palmito” deixou de chegar às torneiras, mas permanece como parte da identidade e da história de Três Lagoas.

E você, chegou a beber a famosa Água do Palmito? Como era a lembrança daquele sabor? Compartilhe sua história e participe desta viagem pela memória do município.

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