Três Lagoas já soma mais de 500 medidas protetivas em apenas seis meses
Levantamento também revela crescimento da violência praticada por filhos contra familiares, segundo SEJUSP e TJMS
Os casos de violência doméstica seguem em trajetória de crescimento em Mato Grosso do Sul, e Três Lagoas aparece entre os municípios com maior número de Medidas Protetivas de Urgência (MPUs) concedidas em 2026. Dados do Monitor da Violência Contra a Mulher, elaborados pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MS) em parceria com o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), apontam que o município contabilizou 564 medidas protetivas apenas no primeiro semestre deste ano.
Em todo o Estado, entre janeiro e junho, foram registrados 10.840 pedidos de medidas protetivas, dos quais 10.172 foram deferidos pela Justiça. Como o levantamento considera apenas os seis primeiros meses de 2026 e reúne informações atualizadas até 15 de julho, a tendência é que esses números sejam ainda maiores até o encerramento do ano.
A evolução dos dados evidencia um crescimento constante na busca por proteção judicial. Em 2022, Mato Grosso do Sul registrou 14.957 solicitações, com 13.408 medidas concedidas. No ano seguinte, os pedidos subiram para 17.018, resultando em 15.000 deferimentos. Em 2024, foram contabilizadas 17.166 solicitações e 15.484 concessões. Já em 2025, o Estado alcançou o maior volume da série histórica, com 18.187 pedidos e 15.389 medidas protetivas concedidas.
Campo Grande lidera o ranking estadual, com 3.710 medidas protetivas concedidas em 2026. Em seguida aparecem Dourados (931), Três Lagoas (564), Corumbá (471), Ponta Porã (319), Naviraí (268), Paranaíba (217), Nova Andradina (204), Aquidauana (183) e Sidrolândia (153).
Os números colocam Três Lagoas entre as cidades com maior demanda por medidas judiciais destinadas à proteção de mulheres vítimas de violência doméstica e familiar.
O levantamento da Sejusp-MS também chama atenção para o perfil dos autores das agressões. Embora cônjuges permaneçam como os principais responsáveis pelos casos registrados, os dados revelam que a violência dentro de casa vai muito além das relações conjugais.
Os vínculos mais frequentes entre agressor e vítima são:
Cônjuges: 41.134 ocorrências;
Conviventes: 22.587;
Outros vínculos: 11.483;
Pais: 6.752;
Filhos: 5.242;
Namorados: 3.697;
Irmãos: 3.532.
Um dos dados que mais preocupa é o número de ocorrências envolvendo filhos como autores de violência doméstica. Foram 5.242 registros, contra 3.697 envolvendo namorados, uma diferença de 1.545 casos, cerca de 42% a mais.
O cenário evidencia que a violência doméstica atinge diferentes relações familiares e não está restrita a casais ou ex-companheiros. Pais, filhos e irmãos também figuram entre os principais autores das agressões, ampliando o desafio das políticas públicas de prevenção e proteção às vítimas.
Com os indicadores ainda referentes apenas ao primeiro semestre, Mato Grosso do Sul caminha para mais um ano com elevado número de pedidos de medidas protetivas, reforçando o alerta para a necessidade de ações integradas de combate à violência contra a mulher e de fortalecimento da rede de atendimento às vítimas.
Fonte:
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